15/05/09

Tatuagem


Um gente finíssima amigo meu (e ex co-worker na época que eu fiz estágio no SERPRO - bons tempos), o Will, me pediu para desenhar a tatuagem dele. Já faz um tempo isso. Ele achou uma escultura feita pello H. R. Giger e gostou tanto que quis ela tatuada no bíceps. A escultura é parte de um conjunto de várias outras, sendo que cada uma representa um signo do zodíaco. A escultura que ele gostou era do signo de câncer, provavelmente o signo dele.


Ao lado da foto está meu esboço. Ele me mandou umas fotos do braço dele por email, e eu fui adequando o esboço pra preencher harmoniosamente o espaço que ele queria ocupar. Quanto às fotos, lembro que ele disse no fim do email: (...) "e desculpe por fazer vc ficar olhando pra sovaco de homi, rs". Hhahah tá desculpado, Will! Os sofrimentos que enfrentamos pela nossa arte....

Aí está a versão em traço e a versão com algum volume. A camada com os traços, eu pensei, poderia ser utilizada pelo tatuador como um estêncil (não sei ditreito como funcionam essas coisas de tatuagem). Tentei fazer essa ilustração bem "tatuável", sem traços muito finos e tal. Se consegui ou não, há controvérsias... Veremos quando ele me mostrar como ficou na pele. Depois de delinear o volume, fiz uma textura à la Giger (ou pelo menos tentei). A escultura era muito cromadona, optei por fazer um esquema mais no estilo dos trabalhos dele com aerógrafo:

14/05/09

Muié random


Nada a declarar... Último desenho que fiz por fazer, e que cresceu o suficiente para não ser chamado mais de sketch... Mas também não é a versão final ainda. Toma vergonha na cara e desenha um cenário aí, Rafael Resende... Sei lá. Mas não começa a querer abrir uma centena de firulas em vetor e tacar todas ao mesmo tempo (no melhor estilo neo-firulativístico vetorial jovem coca-cólico) pra encher linguiça não, hein safado! Tô de olho em mim mesmo.
E lá se foi a racionalidade desse post.


Mas lembrei de uma coisa pra falar! De vez em quando eu jogo esse joguinho besta: Mybrute. Mó bobagem, você vai lá e cria um boneco e joga ele na rinha contra outros. Nem precisa jogar na verdade. O troço é todo automático. Para manter o profissionalismo ilustrativo desse blog de ilustração, eu acho os personagens ilustrados muito simpáticos. Se animarem, vamo sair na porrada lá! É só clicar aqui, que você briga comigo. Se tem alguém aí querendo brigar comigo (Telemarketing? Legião da Boa Vontade?), essa é a sua chance!

12/05/09

Texturas


Subi duas texturas gigantes (abaixo estão pedaços de amostra) que eu fiz há um tempo, pra quem quiser baixar. A de aquarela eu usei na maioria das ilustrações da Alice no País das Maravilhas, e num punhado de outras. Para baixar, clique aqui. A outra é o papelão preto que eu uso de apoio pra passar estilete nas coisas. Pintei ele de branco. Para baixar, clique aqui.

09/05/09

Mais sketch de menina


Strudia eu tava conversando aqui com a minha namorada. Não sei de onde surgiu um assunto de que, nos meus desenhos, o povo nunca tem cara de inocente. Claro que ela estava falando dos desenhos que eu faço pra mim mesmo, porque quando tem cliente no projeto é ele que decide a cara das coisas, se é que elas terão caras. Mas diz ela que são os olhos e as bocas dos meus personagens. Eu adorei isso, hahaha! Ao invés de tentar contradizer a teoria dela, eu fui e desenhei uma muié com cara de doidona com força mermo, pra não perder o costume. Rá!


Se eu estiver aqui sozinho e quiser desenhar um fofinho neném órfão em roupa de coelhinho ganhando um presente da vovó, o bicho vai sair com olho de tinhoso e cara de lobo mau! Acho doido! Homem da caverna pinta bonequinho rupestre, Salvador Dali pinta os troço derretendo e eu desenho os povo com cara de ruim, uai. Morreu Bahia!

06/05/09

A crise...


Se você é freelancer ou tem uma agência em Belo Horizonte, deve ter notado que as coisas andam devagar. Todo mundo das agências cortando custos e tal... Propostas por preços menores... Acaba sobrando (ou faltando, na verdade) pro ilustrador. Ok. O quê você faz?

O (famoso) ilustrador Gary Taxali recebeu recentemente uma proposta da Swatch, segundo ele, que incluía a cessão total de direitos autorais por uma quantia insignificante. E o próprio Google entrou em contato com ele, querendo ilustrações para a search engine deles que já se consagrou mundo afora. E sabe o preço que eles queriam pagar? Nada. Queriam de graça. O que ele fez?


"Don't call me" é o nome desse trabalho que ele fez e transformou numa estampa. Nas palavras dele:
"So here's to every client with shitty fees and terms. Do not waste my time or contact me. I am very busy working with clients who respect artists and you're wasting my time with your solicitations. So for you, I give you a special salute that I hope will keep you away because I don't need your work."

É... Acho que aqui no Brasil falta um pouco disso. Tá certo que cada um sabe onde que o bolso aperta, e cada um dá valores diferentes pro próprio trabalho, e para a divulgação deste. Mas eu conto nos dedos os ilustradores Brasileiros que eu acho que rejeitariam ter o Google ou a Swach como clientes. Menos ainda seriam os que os mandariam tomar no (*) pela conduta deles. Penso que se os ilustradores se dessem mais respeito os preços melhorariam. Quem esse povo acha que é?

Me lembro dum post no site do James Jean. Ele tava fazendo a capa dum box daquela bandinha fogo de palha "Panic! At the disco". Deram o curto prazo de um fim de semana (odeio trabalhar fim de semana) para ele fazer o esboço. E ele fez esse sketch maravilhoso que peguei no blog dele (processrecess)


Depois de um tempo, responderam pra ele que os meninos do Panic! At the disco resolveram que a capa ia ser só a tipografia, e pediram para ele refazer a tipografia. Ele não quis, segundo ele mesmo, "por falta de interesse". Há! E ainda usou a ilustração final noutro projeto foda. Eu já cansei de ver empresas proporem coisas no risco, chamarem ilustradores de última hora (sem tempo para assinar contratos) e cancelarem o job no meio. Ilustradoresse se estrepam nessa hora. Mas nunca vi um ilustrador fazer o contrário, e com um clientão desses. A gente chega lá...

05/05/09

Estudo


Pintei esse quadro esses dias. Reconhecem a minha modelo?

04/05/09

Tablet. Qual?


Outro dia ouvi falar que lançaram o Intuos 4. E vira e mexe alguém me pergunta que tablet eu tenho, ou recomendo, etc. Vou dizer aqui o que eu acho, e quando me perguntarem, eu passo o link desse post :) Fotinha do neném novo da Wacom:


Do jeito que eu vejo, é assim: a Wacom comanda. Ponto. Nem Genius, nem Iptek se comparam em matéria de precisão com o modelo mais básico e barato da Wacom. Não é frescura. Se você não tem a grana, espere um pouco e junte mais. Se acha que 400 reais é muita grana pra gastar num tablet, compra um usado, mas compra Wacom!

(Eu não ganho nada da Wacom pra dizer essas coisas, mas eu acho que eles deviam me mandar os modelos de tablets que lançarem, para eu avaliar por aqui. Oh, well...)

Agora que você decidiu comprar um Wacom, resta saber qual. Com qualquer modelo não tem erro, na verdade. Todos são bons. No meu trabalho uso uma Graphire antigassa da primeira geração. Não sei quantos ilustradores passaram por esse tablet: a caneta tá trincada de tanto cair e não tem mais o botão, a superfície ta toda desgastada mas o troço simplesmente se recusa a morrer. Uso intenso todos os dias e deve ter uns 4 ou anos ou mais... E ainda está de pé. Se você achar uma usada, o único perigo pode ser a sensibilidade à pressão, que pode estar desgastada.
Você pode testar a pressão dela no menu do próprio driver, para conferir:

Faça pressão com a caneta e observe o gráfico. Eu tenho que fazer um bocado de força pra minha barrinha ficar azul até a metade. Nos tablets muito antigos, (ou se a pessoa que usa tem a mão pesada demais) qualquer toquinho joga a barra lá em cima. A propósito, eu uso em casa uma Intuos 3, que já saiu de linha. Óia ele aí:


O que você tem que levar em consideração na hora de comprar:

Tamanho: O povo geralmente pensa que tablet bom é tablet grande, mó bobagem. Ninguém desenha fazendo riscos enormes. Você mexe os dedos em pequenos movimentos, mas a sua mão não sai deslizando de fora a fora num risco de 20 cm (a minha pelo menos não). Pra quê então comprar um tablet bitela? 6x8 polegadas pra mim é o tamanho máximo.

Resolução: Não vejo ninguém falando disso, mas pra mim faz muita diferença. Quanto mais resolução (lines per inch), mais suave sai uma curva. Mais detalhe nos movimentos. Um rabisco curvo feito com rapidez numa graphire fica um pouco "quebrado". Dá algumas quinas pequenas, mas dá. Com a minha Intuos (dobro de resolução), sai tudo redondinho.

Níveis de pressão: Aqui existe diferença também, mas às vezes eu sinto cheiro de pegadinha. Porque? Supondo que você use um tablet de 1024 níveis de pressão. Se você usar, no photoshop, um brush com o tamanho de 1024 pixels, você poderá variar o tamanho do brush de um pixel a 1024 pixels, de acordo com a pressão que aplicar na caneta. Mas quem é que usa um brush desse tamanho? E quem é que faz tanta força numa caneta da Wacom que chegue no máximo da pressão? Poisé. Isso me lembra as guerras de megapixels entre câmeras digitais, que não faz a menor diferença pra quem não imprime fotos em tamanhos gigantes. A qualidade da foto não aumenta, só o tamanho. E o preço. Dizem que a Intuos 4 tem 2028 níveis de pressão, eu não vejo muito uso nisso não. Mas como nunca usei um desses, não tenho certeza se faz alguma diferença.
Precision Mode: Isso é novo. A nova Intuos 4 é a primeira que tem e eu tô doido pra ver esse troço. Você aciona com algum botão (à sua escolha: pode até ser o botão da própria caneta) o tal "precision mode" e a mobilidade da caneta se altera. Com o modo acionado, você tem que fazer movimentos proporcionalmente maiores do que o normal pra conseguir o traço de sempre. Deve ser porreta!

O que você não deve levar em consideração:

Tem coisas que, na minha opinião, são frescura, ou são táticas de marketing pra te empurrar coisas inúteis por mais grana. Vamos a elas.

Mouse com 500 mil botões e o escambau: Você não vai querer usar esses mouses. Eles são bons e tudo. Mas é muito melhor usar um mouse comum que não passe por cima da superfície sensível do tablet. Primeiro porque, se você usar a superfície do tablet para tudo (eu uso o meu só pra desenhar, não fico navegando na internet nem mexendo no computador com ele) você suja ele muito rápido, e a sujeira é que arranha a superfície e desgasta as ponteiras. Segundo, porque esses mouses tem um fundo de tecido felpudo impossível de limpar e que só serve pra acumular a gordura que solta da sua mão e espalhar a porcaria por todo o tablet, arrumando uma desgraceira só. Olha o meu quando tinha uns meses de uso:


Touch strips, express keys e afins: Achei que ia ussar esses botões mas nem uso. Sabe porque? Não cabem todos os atalhos do photoshop que você precisa lá. Você vai acabar tendo que usar o teclado. Eu uso muito a tecla f7, ctrl+ z, ctrl+ s, (B)rush, (E)raser, (M)arquee, D(o)dge, (P)en, Mo(v)e, (S)tamp, uso o tempo todo a tecla espaço, a tecla shift, a tecla tab, as teclas de aumentar e diminuir o tamanho do brush... Tentei socar tudo nas express keys, pra usar o troço, já que comprei. Mas não dá. Você vai acabar com o teclado junto do tablet, e esquecer desses botõezinhos. As touch strips também são um saco, eu desativei uma porque toda hora você esbarra nela e acha que um fantasma está dando scroll down na tela. A outra nem lembro de usar.

Ponteiras com textura disso e daquilo: Legal pra brincar quando você compra seu primeiro tablet. Depois você deixa a que gostar mais encaixada na caneta e esquece. E no final, você acostuma com qualquer uma, não faz muita diferença. Detalhe: eu nunca vi ninguém gastar uma ponteira sequer até o fim. Estou na minha primeira há uns 3 anos.

Painel luminoso mostrando as teclas de atalho: Frescura. Caso você use as teclinhas lá, claro que você vai decorá-las em 2 horas de uso.


Coisas que eu simplesmente não sei:

Uma coisa que eu tenho dúvida é quanto aquela bolinha tipo a dos Ipods. Parece que é bem mais usável que as "touch strips"

Outra: o tal "the fodest" Cintiq. Com certeza deve ser o máximo. Mas algo me diz que é areia demais pro meu caminhão... Eu não acho que eu tiro o máximo proveito da minha intuos, quem dirá duma Cintiq. Eu sou meio viciado em ficar virando o papel, e você pode fazer isso com a Cintiq. Pode rodar ela. Mas será que vale tanta grana? Quando eu ficar rico eu saberei.

Veredito final:

Na hora de comprar um tablet, gaste um pouco mais e compre Wacom.
Na hora de comprar Wacom, gaste um pouco menos e compre um com o que é essencial: muita resolução na base (resolução não é tamanho!), e razoáveis níveis de pressão na caneta. Finito. Se tiver algum primo nos EUA, manda ele trazer o Intuos 4 e brinque com o precision mode. E venha aqui me contar se presta. Se tiver aqui, essa é a hora de comprar um Intuos 3, que saiu de linha e tá bem mais barato. E ainda é um excelente tablet.

Ps: Se você esmerilhar sua caneta de alguma forma, de uma olhada nesse link:
Como consertar uma caneta Wacom
Meu amigo seguiu esse procedimento e voltou a funcionar certinho.

Sketch


Não sei se posso falar qual o destino desse sketch, se é que vai ser esse mesmo que vou usar. Vamos então chamá-lo por enquanto de menina luso-ítalo-psico-neo-gótica-mórbida-timburtoniana-genérica-despretensiosa*.

* Foto meramente ilustrativa. As cores podem variar. Contém glúten.






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