04/08/09

Damatta, novo brasão.


Na época em que estudava design na UEMG, fiz um estágio na Damatta Design. A Damatta atualmente é uma empresa que fabrica e vende roupas e acessórios relacionados ao esporte, mais especificamente esportes velozes praticados sobre coisas com duas rodas, como bike e moto.
Na época eu desenhei um punhado de estampas e algumas outras coisas para os irmãos Damatta. Saí do estágio um tempo antes do grave acidente do piloto Cristiano Damatta durante um teste. Me lembra muito esse acidente do Felipe Massa, só que ele colidiu com um animal que invadiu a pista. Acho que o acidente dele foi até mais grave, mas ele se recuperou muito bem, chegando até a correr denovo.

A Damatta design vai bem, e eles estão mudando algumas coisas. Me pediram pra redesenhar o brasão que eles usam em algumas estampas. Queriam ele mais sombreado e tridimensional. Aí está a versão nova... Dá pra ver no detalhe que eu usei blend até falar chega no illustrator né... O post anterior a esse explica algumas coisas sobre o blend.


A versão antiga fui eu que desenhei também, na época do estágio. Embora eu tenha carinho pelos meus trabalhos antigos e não goste de ficar malhando muito eles, depois que esse novo ficou pronto eu achei o antigo tava precisando mesmo de um tapa! Abaixo, a versão antiga e a minha metodologia: imprimi ela em azul clarinho e redesenhei o brasão novo com grafite por cima. Desenhei apenas um lado e rebati o outro. Me livrei do azul no photoshop(IMAGE>ADJUSTMENTS>BLACK&WITE> blue filter) e aí comecei a vetorizar.

No centro do brasão se encontra o símbolo da marca deles, só que de frente (a marca é esse capacete de perfil). Comparando com a versão antiga, o capacete de frente melhorou demais. Antes ele mal mal lembrava a marca. Abaixo, as duas versões lado a lado.

Vivendo Perigosamente


Esse post não é de tutorial, nem de auto-promoção. Nem de palhaçada!
É New Age e mega "auto ajuda", para todos os ilustradores (ou aspirantes) que passem por aqui. Sapeca o CD do Enya aí e continua lendo. Esse post vale pra mim também.
(Esses desenhos aleatórios que eu coloquei no post são de quando eu era criança. Desenhar era mais divertido do que nunca.)



Se você gosta de desenhar, saiba que desenhar por profissão é viver perigosamente.

Tava conversando outro dia sobre pular de pára-quedas, bungee jump e andar de montanha russa. Eu sou medroso com esses troços de altura. Na hora eu não me achei medroso, meu medo saiu camuflado de "sensatez". Agora vejo que eu tenho é medo de altura mesmo. O que isso tem a ver com ilustrar?

Confesse, se você é ou está tentando ser um profissional da área artística, não está fazendo isso por causa do dinheiro, nem da estabilidade. Se dinheiro fosse sua principal preocupação, você estaria bolando sua campanha eleitoral nesse momento, ou vendendo herbalife.

Viver sem perigo é não viver. Você só vai estar totalmente livre de perigo quando estiver morto. E você certamente vai estar morto, um dia. Mas até lá, você só vive de verdade se estiver disposto a arriscar alguma coisa, disposto até a morrer por alguma coisa. Abrace o risco de viver fazendo o que você gosta de fazer.



Por um bom tempo, eu estive insatisfeito com a profissão que eu escolhi. Até recentemente, aquela velha ladainha de "O Brasil é muito ruim para a nossa área", "Os micreiro tão acabando com a gente", "Contratos leoninos e projetos no risco", "Concursos abusivos", tudo isso me pegava de jeito. Cheguei num ponto que saía magoado ou indignado de reuniões com clientes que vinham com projetos faraônicos, mas no final não ofereciam nem um décimo do "valor justo". Eu ficava só falando de direitos autorais com outros ilustradores, ao invés de falar sobre arte. Tentando transformar todos em contadores e advogados.

Nada pior para um ilustrador do que remoer esses venenos. Claro, saiba como agir profissionalmente, saiba seus direitos, saiba fazer contratos e agir de acordo com as burocracias, se quiser manter um negócio. Mas lembre-se, você faz o que gosta, não transforme sua paixão num pesadelo.

Muitos aí vão me achar meio radical, mas eu não tô nem aí pra situação da ilustração no Brasil. Já estive, mas não estou mais. Não estou nem aí pra micreiros, Lei Rouanet, nada. Se meus filhos e netos não vão poder viver usufruindo de herança dos direitos autorais que eu possa gerar, não dou a mínima. Eles que vivam a vida deles e façam o seu sustento de algo que gostem, como eu estou tentando fazer. Minha vida é muito curta pra ficar preocupado com essas coisas, que tiram o prazer de trabalhar com arte. E se não der para viver assim aqui no Brasil, eu saio daqui.


Não é utopia: você pode desenhar para os outros e sempre ter prazer em fazê-lo. Eu ainda não estou lá, mas estou chegando cada vez mais perto. Basta ir aceitando plenamente o risco de se fazer o que gosta, que no nosso caso é ilustrar. Você faz o que gosta, assuma os riscos. Seja instável, se vire. Você é mais vivo do que quem não faz o que gosta, tem a oportunidade de se superar. Se achar que o serviço paga mal, recuse-o simplesmente. Se pagar muito bem, aliás, se você simplesmente estiver gostando de trabalhar, o cliente pode te pedir 300 alterações, você não vai ligar. Vão sair 300 obras de arte, e você vai fazer uma exposição de sucesso. Ou então você deixa de fazer projetos para esse cliente e indica outro ilustrador, se começar a achar ruim. Suas ilustrações serão mais vivas e mais clientes satisfeitos aparecerão. Procure trabalhos que sejam os mais divertidos para você, mesmo que sejam menos glamurosos ou paguem menos. Não se preocupe com o mercado de trabalho.

Afinal, você já não decidiu que liga menos para a estabilidade do que para a sua satisfação pessoal? Você é ilustrador ou balaio de xuxu? Seja corajoso, não ponha a culpa na cena.

Não ligue pros micreiros que estragam o mercado, nem viva para agradar os "xiitas do direito autoral". Faça as suas coisas do seu jeito, sem reclamar se elas derem errado, pois foi escolha sua. Aproveite sua liberdade. Não tente construir um muro de estabilidade ao seu redor, você está só adiantando a sua morte.

Esses dias me deu vontade de andar de montanha russa e pular de pára-quedas.






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